terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Reportagem sobre o Grupo de Teatro Palha de Abrantes



Reportagem", acerca do Grupo de Teatro Palha de Abrantes, produzida e realizada por dois alunos finalistas, do Curso de Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, Patrícia Tavares e Denízio Boaventura, no âmbito da Unidade Curricular, Atelier III.

CRÓNICA: O que vale a opinião deles?

Olho á minha volta e sinceramente dá-me pena. Vejo tanta, tanta gente mas é como se não visse ninguém. Pelo menos ninguém que seja realmente aquilo que demonstra ser. Vou a varanda e vejo uma senhora sentada na esplanada de um café, toda finória, postura direita, cabelo bem arranjado, lábios cuidadosamente pintados…

A maior parte das pessoas hão-de olhar para ela e pensar “Eish! Que chiquérrima, toda limpinha, aprumada e tal!”, mas eu olho para ela e penso, “Será? Será que és tão arrumadinha como aparentas ser? Será que a tua casa não se assemelha a um chiqueiro?".

Quase que aposto que apenas estás assim vestida, por que não fazes mais nada da vida, a não ser preocupares-te com o que os outros pensam de ti. Aposto que só arrumas a casa nos dias em que tens visitas. Isto faz-me ficar doente. Não o facto de a senhora não arrumar a casa, ou vestir-se como se veste, mas sim, por fazê-lo apenas para agradar aos outros, ou pelo facto de a sociedade de hoje em dia reger-se por aparências. O facto de existirem pessoas que limitam a sua existência aos gostos e pensamentos dos outros. Farto-me de me perguntar, “Porquê? Por que é que te importas com o que eles pensam? Porquê? Por que é que choras quando alguém goza com o que tens vestido? Porquê?".

Não existe caminho mais rápido para a infelicidade do que este. Queres ser infeliz? Então escuta: Oculta os teus gostos, mata tudo o que te dá prazer e sê a marionete que esta sociedade tem obrigado as pessoas a ser.

Estás a usar umas calças super lindas, mas o António e a Manuela dizem que não te ficam bem? Deita-as no lixo. Ontem á noite tiveste uma ideia brilhante e decidiste partilhá-la com a tua melhor amiga, mas ela achou-a ridícula? Esquece-a. Achas que aquela rapariga ou aquele rapaz é o perfeito para ti, mas os teus pais não o aprovam? Procura outro. Adoras usar aquele batom preto porque gostas de coisas diferentes, mas cada vez que o usas recebes comentários negativos? Nunca mais o compres.

Apetece-te dançar, cantar e gritar por aí, mas não queres que te achem ridícula ou criança? Vai dormir. Queres comprar uns calções curtinhos porque adoras ver as tuas pernas neles, mas a tua prima diz que pareces uma "oferecida"? Deixa-os estar na loja. Sim! Deixa-os! Talvez haja alguém que não se importe com a opinião dos outros e os compre por ti. Olha… talvez até seja a tua prima!

Patricia Tavares

REPORTAGEM: Exposição Festa Brava na Casa Vieira Guimarães


Trabalho como repórter em colaboração com a TomarTv.


ENTREVISTA: Salomé Silveira conta o seu percurso musical desde de “The Voice Kids”

“Quando estou em cima do palco é deixar-me ir, libertar-me”

Salomé Lunta Silveira, tem 15 anos, é natural e residente de Abrantes. Em 2011, foi concorrente do programa da TVI, “Uma Canção para Ti” e finalista do “The Voice Kids” em 2014. Participou também no CD de Natal da Leopoldina.

Desde pequena que tem lutado para alcançar o seu sonho, ser cantora. Sonho esse, que lhe parece cada vez mais perto desde a sua participação no “The Voice Kids”.

Atualmente, apresenta um projeto mais maduro, acompanhada pela sua banda, e dá voz a temas de conceituados artistas como, John Legend, Marron 5, Katy Perry, Meghan Trainor, passando por Amália Rodrigues, Deolinda e Maria Guinot.


Quanto a projetos futuros, Salomé Silveira, pretende um dia dar voz a músicas idealizadas por si e, quem sabe, lançar o seu próprio disco. 

Enquanto isso, vai conciliando os seus estudos com a carreira musical, pois pretende também, tirar um curso na área da medicina.


Como surgiu a ideia de ingressares no mundo da música?

Desde pequenina que canto. Penso que apanhei o gosto através do meu avô. Ele tocava acordeão e eu sempre ouvia-o tocar, a concertar o instrumento. Talvez tenha sido daí.

Foste finalista do “The Voice Kids”. Foi um sonho alcançado ou apenas um caminho em direção ao sonho?

Acho que foi as duas coisas, mas essencialmente um caminho ao sonho, que é ingressar no mundo da música e ser cantora, claro.

Quais as principais mudanças que sentiste na tua vida após esse grande acontecimento?

Comecei a sentir as mudanças a partir do programa, “Uma Canção para Ti”. Era um programa que tinha mais impacto nas pessoas, e também foi a primeira edição kids. Sinto que as pessoas passaram a reconhecer-me, principalmente aqui em Abrantes. Tenho tido também alguns convites, algumas propostas. Essencialmente tem sido só isso.

Qual tem sido o feedback que tens sentido das pessoas?

Positivo, penso que gostam de me ouvir cantar.

Como é que surgiu a ideia de te unires a uma banda?

Eu sempre quis tocar com uma banda, sinto que é um apoio diferente. Tocar com instrumentais não é a mesma coisa. Surgiu a oportunidade de fazer um espetáculo na Ponte de Sor com uns músicos, que atualmente são a minha banda, no qual a minha mãe sugeriu fazer a banda. Inicialmente, pensei em pessoas jovens da minha idade. Mas pronto, eles ouviram-me cantar, gostaram tanto que quiseram participar comigo.

Agora, como membro da banda, dás voz a temas de grandes artistas. Tens como objetivo um dia dares voz a alguma música idealizada por ti?

Sim, sim! É isso que estamos a procurar neste momento, fazer originais. Eu escrevo alguma coisa mas não as mostro. Isso porque escrevo quadras soltas, mas pode ser que algum dia as junte todas e surja qualquer coisa.

O que é que sentes quando sobes ao palco?

Antes de subir ao palco, sinto um bocadinho de nervosismo, principalmente quando estou com a banda, pela responsabilidade. Também porque desde que estou com a banda, faço espetáculos com um maior número de pessoas. Festas da cidade, etc... Quando estou em cima do palco é deixar-me ir, libertar-me. Depois, só tenho de adaptar-me às várias situações que vão ocorrendo.

Tens algum cantor, algum ídolo ou alguma referência que te impulsiona a seguir em frente com o teu sonho?

Gosto imenso da Beyoncé, acho que ela é muito completa naquilo que faz. Talvez seja ela o meu ídolo, mas tenho um bocadinho de ídolos em cada género de música.

Quais os projetos que tens em mente?

Neste momento escrever originais e talvez lançá-los, editar um disco. Tentar ter uma carreira.

Desde a tua saída do “The Voice Kids” até agora, achas que enquanto cantora, já evoluíste? 

Sim, no “The Voice”, tínhamos professores de canto que nos ajudavam imenso. Sinto que evolui muito desde ai. Apesar de ter tido aulas de canto antes, as opiniões deles, contaram imenso. A forma como me ajudaram naquilo que é o grande espetáculo, que é a televisão, e naquilo que é grande palco, que é  “The Voice”.

O que achas que ainda tens a melhorar?

Muita coisa claro. Há muita coisa que ainda tenho de melhorar, tenho de aprender. Ainda não sei tudo. 

Onde te imaginas no futuro em termos musicais? 

Gostaria que fosse conhecida pelo meu trabalho, não só a nível nacional como internacional, quem sabe.

Em que género de música pretendes apostar?

Esse é o meu grande dilema. A minha banda está sempre a dar-me na cabeça em relação a esse assunto. Neste momento canto pop, fazemos algumas versões de blues, jazz e também faço noites de fado. Mas, acho que não vou ingressar pelo fado. Queria seguir pelo pop. Acho que é mais a minha onda, até porque gosto muito de dançar.

Tens alguma outra ambição para o teu futuro para além de ser cantora?

Para além de querer ser cantora, também gostaria de tirar um curso na área das ciências. Ainda não tenho muito bem a certeza o quê. Talvez psicologia. Não sei. Também gostava de tirar um mestrado em genética, algures por essas áreas. Ainda não sei.

Como tens conciliado os estudos com a tua carreira musical? 

Tenho que conseguir. Não tenho más notas. Tento gerir as duas coisas. Ás vezes é um bocadinho complicado, porque nos dias que tenho de estudar mesmo, tenho ensaios. Mas tento compensar noutros dias, para facilitar.

O que é que mais te marcou no meio de todo o teu percurso musical?

Talvez tenha sido “The Voice”. Ter conhecido a Raquel Tavares. Foi uma grande ajuda e tornou-se muito próxima. Foi muito querida para mim e deu-me vários conselhos. Mas essencialmente, foi ter partilhado o palco com vários artistas.

Que mensagem queres deixar para jovens que sonham entrar para o mundo da música? 

Se quiserem mesmo isso, o mais importante é não desistir. O mundo da música é muito complicado, não é nada fácil. Como tal é preciso não desistir, lutar muito e trabalhar, claro. Por que sem trabalho não se chega a lado nenhum.

Patrícia Tavares
Créditos da Foto: Facebook Salomé Silveira 

Simone de Oliveira atuou no cineteatro São Pedro


“Cheguei a uma idade e a um tempo em que posso partilhar algumas emoções”

A cantora e atriz, Simone de Oliveira, apresentou no cineteatro São Pedro em Abrantes, o espetáculo “Intimidades”, acompanhada pelo pianista, Nuno Feist, no passado dia 13 de novembro.

“Intimidades” foi o nome escolhido para o espetáculo porque nas palavras de Simone de Oliveira, “ já não me apetece muito, apenas, cantar cantigas para as pessoas. Acho que cheguei a uma idade e a um tempo em que posso partilhar algumas emoções com elas. Algumas históriazinhas, para que elas percebam que nós, os que pintamos a cara, somos exatamente iguais às outras pessoas”. “Quero que as pessoas pensem, «ela tem aquela profissão mas é igual a nós!»”, acrescentou a cantora.

“Foi um espetáculo fantástico! Com uma grande mulher, uma grande atriz com um excelente músico e portanto foi um serão muito bom. Dois grande artistas que nos ofereceram uma grande noite em Abrantes”, afirmou  Maria de Céu Albuquerque, presidente da Câmara de Abrantes, sem deixar de destacar que o estáculo, “estava claramente dentro das espetativas”.

Com 58 anos de carreira, Simone de Oliveira, espera ainda continuar a realizar mais projetos de vida, “espero realizar tudo aquilo que a vida me der para fazer. Não vou estar agora aqui a dizer que vou viver mais 20 anos , mas, vou tentar vivé-los. Gosto muito de viver!”, referiu a artista.
“Acho que vou continuar a trabalhar até ser possível, finaliza a atriz.

Patrícia Tavares
Créditos da Foto: Câmara Municipal de Abrantes 

REPORTAGEM: “A Natureza de uma nação mede-se pela maneira como tratam os seus animais.”- Gandhi

ADACA luta contra a sobrelotação e abate no canil abrantino

O frio paira no ar. O vento traz consigo um som familiar que se funde na chuva que cai, latidos de cães.  Sei, de imediato, que estou no sítio certo. Deparo-me com uma senhora, ao portão, rodeada por um número incontável de cães, situação imprevisível num pequeno canil.

Diz-se por ai, que o cão é o melhor amigo do Homem, mas, será o Homem o melhor amigo do cão? Ao espreitar o dia-a-dia de uma mulher que cuida praticamente sozinha de mais de 100 animais, ficamos na dúvida de qual a melhor resposta a esta pergunta.

Já la vão 9 anos, desde que Ana Fontinha ingressou na Associação de Defesa dos Animais do Concelho de Abrantes (ADACA), desde ai dedica-se de corpo e alma a este trabalho.

“Éramos um grupo de pessoas que gostavam imenso de animais, e desejávamos fazer algo por eles. No início, não tínhamos espaço físico portanto, fazíamos trabalhos no terreno. Distribuíamos ração pelos animais, tentávamos arranjar-lhes donos, levávamos-lhes ao veterinário. Fazíamos o máximo que podíamos por eles”, explica Ana.

Em 2007, surge o canil Municipal de Abrantes, como força motora para a diminuição do número de animais errantes. “Com a criação do canil, a associação tentou fazer um protocolo com as autarquias de Constância, Sardoal e Abrantes, de modo a evitar os chamados canis de abate. Tenho sido voluntária desde ai”, conta Ana Fontinha.

As autarquias envolvidas no projeto, disponibilizam 5 euros por cada animal no período de oito dias, caso o animal não seja adotado, este deverá ser abatido, situação que a ADACA se recusa a praticar, levando assim à sobrelotação do canil.

 “Eu não aceito. É uma questão de sentimentos! Infelizmente na maior parte dos canis do nosso pais é assim. No dia que abaterem aqui um cão pela ordem das autarquias, eu saio porta fora!  Senão sair nesse dia, saio no dia a seguinte, mas os cães que aqui estiverem 9 anos comigo vêm atrás. Abatem-se dez, abatem-se 20, mas para quê se continuam a reproduzir-se na rua em catadupa?”

A solução deste enorme problema social pode  não passar pelo abate, tal como tem sido feito ao longo de anos, porém para a voluntária, não pode ser desprezada a grande quantidade de animais que continua a reproduzir-se, tanto dentro como fora dos canis. “Pelos animais, a única solução é a castração, a esterilização. Não há outra solução para acabarmos com isto. É uma responsabilidade das autarquias. Têm de começar a agir”, apela a voluntária.

A dedicação desta senhora  ao canil salta  aos olhos logo no interior do mesmo, pois apesar de haver patinhas e focinhos por cada canto e recanto, o ambiente não poderia ser mais acolhedor, porque ao contrário do que se espera encontrar num canil sobrelotado, aqui a higiene paira no ar.

“Eu procuro com as dificuldades que tenho, poder fazer com que os animais se sintam bem. Faço de tudo para que as pessoas que chegam aqui, não tenham aquela sensação que se tem quando falam de canil”, esclarece Ana Fontinha.

Dezenas de canídeos cheios de força, vitalidade e energia rodeiam, saltam correm e pedincham a atenção de uma senhora, de 59 anos, que nada mais quer para além de lhes agradar e mostrar paixão.

“Eu acho muito engraçada a frase, «Do conhecimento nasce o rigor, da paixão nasce o conhecimento». Adotei esta frase como a gêma desta associação. A paixão pelos nossos ideais.  As pessoas têem de ter paixão pelo que fazem”.

São realmente precisos 9 anos de uma vida, para se ser capaz de criar laços tão fortes com 180 cães porém, os anos passam, e a idade não perdoa, “nestes 9 anos sempre pensei que poderia ter a ajuda daquelas pessoas que passam a vida a apregoar e a gritar os animais isto, os animais aquilo,  ai os animais! Mas não tenho, estou só! Chega a um ponto em que eu já não consigo aguentar 24h sobre 24h. Já há 9 anos, que não sei o que é um dia de descanso”.

O rosto de Ana transfigura-se sempre que se refere às «pessoas de hoje em dia» “a maior parte das pessoas querem cães apenas  porque é bonito. Olham para eles como se fossem objetos feitos para satisfazer as suas próprias necessidades. Fartam-se, abandonam-os. Tem-se que educar as pessoas de modo a que evoluam naquilo que diz respeito aos animais. As pessoas tem que se lembrar que os outros não estão aqui para os servir. Eu não estou aqui para os servir! O cão é o melhor amigo do homem, mas este retribui-lhe da mesma forma?"

Para Ana Fontinha, o futuro é incerto, tendo como única certeza a vontade de fazer cada vez mais pelos seus pequenos, grandes, companheiros,“as pessoas ainda me criticam e dizem «melhor fizesses pelas pessoas aquilo que fazes pelos animais», mas uma coisa é certa, se em vez de cães aqui dentro estivessem pessoas eu já me teria ido embora”.

Patricia Tavares
Crédito da foto: Pedro Ferreira

Jorge Palma num concerto solidário no cineteatro São Pedro

“Tou sempre preparado e disposto a tocar mas neste caso tem mais significado”

O músico Jorge Palma, esteve novamente no palco do no cineteatro São Pedro, para um concerto solidário, a convite da Associação de Pais da Escola António Torrado, no passado dia 20 de novembro.

O concerto tinha como objetivo angariar fundos para a Associação de Pais. “Neste momento estamos a atravessar uma fase mais complicada, logo, temos de fazer uma angariação de fundos com alguma frequência. A receita é para podermos dar às crianças uma melhor qualidade a nível escolar.”, explica Ana Rodrigues, tesoureira da Associação.

O cineteatro São Pedro encheu-se para receber, após 4 anos, Jorge Palma, assim como Vicente Palma (seu filho) e Gabriel Gomes (ex-Madredeus e Sétima Legião).

“O evento correu melhor do que eu esperava, foi fantástico! Nós adoramos, o público adorou. Foi uma primeira experiência fantástica, que provavelmente irá repetir-se”, afirma a tesoureira.

“Em relação à venda dos bilhetes, claro que as expetativas são sempre encher a sala. Houve algumas desistências, mas a sala estava praticamente cheia. A noite de hoje ainda rentabilizou, por isso vamos esperar que traga algum conforto duradouro para a associação”, acrescenta a responsável.

Quanto à participação em concertos solidários, o músico Jorge Palam explica que “Estou sempre preparado e disposto a tocar, mas neste caso tem mais significado. É muito importante para mim ver um espírito de equipa cívico. Quando as coisas têm um aspecto humano que prevalece, merecem todo o respeito. Toda a força”, sem deixar de acrescentar que, “a população abrantina é um público muito caloroso. Senti-me em casa!”.

Quanto a eventos futuros, “já temos outro projeto em mente, mas é segredo! Vai ser um projeto maior! Vai ter uma dinâmica maior, por isso vai levar algum tempo a ser estruturado. Mas prometo que será fantástico. Prometo e muito! Aguardem!”, adianta Ana.

Patricia Tavares